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REGRAS PARA SE FAZER O POEMA VARANO

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

NÃO SE ARROGUE O DIREITO DE SER NÉSCIO, DÊ-ME UM SONETO, POR FAVOR!


Permita-me um soneto, por favor!
Desculpe-me... tem rima em minha vida.
Direi uns poucos versos de partida,
do muito que na vida tem valor!

Soneto é como o doce do licor,
em lábios já sedentos por bebida;
é bálsamo se a dor se faz sentida
e é cura − como o tempo − em dor de amor!

Assim faz o soneto com o poeta;
adoça a alma, encanta e o liberta
dos muitos desencantos da ilusão!

Permita-me um soneto, serei breve:
Que alguém jamais se arrogue ou, enfim, se eleve
− às custas do poder − ante a razão!

terça-feira, 20 de agosto de 2013

A CURVA DA EXISTÊNCIA


Quando não mais agradas a um alguém,
Quando nem brincadeiras têm mais graça,
Verás que, de verdade, o tempo passa!
Verás que passarás um dia também!

O tempo nunca pára pra ninguém...
No mesmo ritmo vai e não disfarça!
Nada do que foi antes nos retém...
Quem sabe... Um velho banco numa praça!

Não fique triste, pois, é a realidade,
Que há séculos nos mostra, sem piedade,
A curva descendente da existência!

Nunca se desespere na saudade...
Quem sabe, o fim de tudo é a liberdade,
Pois, quem zela por nós é a Providência!

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

SONETO PARA REFLEXÃO


A vida é uma viagem ao distante!
De onde partimos, nunca saberemos...
Nem planos, nem propostas que fizemos,
Nem mesmo se estaremos lá adiante...

Nossa visão é curta ainda o bastante!
Sequer saber o quê a que viemos,
Foi-nos legado como relevante!
Uma certeza temos, morreremos!

Vidas entrelaçadas, de retalhos,
De choros, alegrias, sofrimento!
De líricos momentos, de trabalhos...

A vida é um conjunto em movimento,
Na imensidão do cosmos, entre atalhos,
A nos levar a Deus, no firmamento!

terça-feira, 6 de agosto de 2013

O CORDEL DA INTERNET


Liguei meu computador
Para acessar a Web...
Está pior que estupor!
Da classe alta até a plebe,
O besteirol corre solto,
E você acaba envolto
E disso não se apercebe!

Tem desabafo de corno,
Sacanagem, putaria...
Tem notícias de suborno
E muita patifaria!
Tem gente mostrando o ego
Num tiroteio de cego,
Tem ‘sábios’ em confraria!

Vê-se de tudo na rede:
Lá produzem, lá consomem,
Falam de fome e de sede,
De mulher virando homem...
Uns querendo aparecer,
Fotos inúteis pra ver...
Tem de miss a lobisomem!
  
Puro retrato dos tempos
De acesso à tecnologia,
Que, apesar dos contratempos,
Vai fazendo a alegria;
Muita coisa se aproveita...
Não perca, pois, essa feita
E viva a democracia!

Democracia vem de longe...
Vem da cidade de Atenas!
Seja o ateu, seja o monge,
Entre deusas e falenas,
Hoje você vê e escuta
Vídeos de anjo ou de puta,
Bundas grandes e pequenas!

Vê pensamento enrustido
Sendo posto na vitrine!
Se tem nariz entupido,
Receitas, soro, sorine...
É um vendaval de mil coisas,
Que não cabe em velhas loisas,
Nem no melhor magazine!
  
Tem conquistador barato,
Tem velha que se diz nova,
Tem o bonzinho e o chato,
Tem quem reprova ou aprova,
Tem o cricri pela-saco,
Perfume para sovaco,
...Tem poeta e muita trova!

Agora, já tem um vício:
‘rede-relacionamento’!
Buraco sem orifício,
Casado sem casamento!
...É, pois, um Deus-nos-acuda!
Pegue a cabeça e sacuda
...E alivie seu pensamento!

sábado, 1 de junho de 2013

ANJO DE LUZ


Ela é meu anjo
E é meu arranjo,
Trago-a no peito!
Sua luz com jeito
... Em mim reluz!

Dita de su’alma
Silêncio e calma
Em oração...
É sua missão
... Anjo de luz!

Dos lábios seus,
Sinais de Deus!
E esse convívio
Traz-nos o alívio
... Faz leve a cruz!

terça-feira, 7 de maio de 2013

MÃE...



De sóis, de luas
Lares e ruas
Cores e praças
Todas as raças
... Calas na dor!

Sorris e choras
Todas as horas
Todas as dores
Ó mãe d’amores
... Tu és puro amor!

Rendo-te um preito
Bendigo o peito
Que a humanidade
Na tenra idade
... Suga o vigor!

Aqui ou ao léu
Tu és nosso céu
Tão doce e caro!
Tu és nosso amparo
... Mais linda flor!

quinta-feira, 2 de maio de 2013

O ENCANTO DE AÇUCENA (glosa)


Foi na poeira da estrada de piçarra
Que uma vez avistei o rosto dela!

Era um dia de sol, bem no verão,
Na mistura vermelho-amarelada
Da poeira cobrindo aquela estrada
Que primeiro assustei meu coração...
Vislumbrei a açucena do sertão
Debruçada, sozinha na janela!
Era a coisa mais linda... Era tão bela!
Mais suave que a flor de uma alcaparra...

Foi na poeira da estrada de piçarra
Que uma vez avistei o rosto dela!

Num sorriso velado ela mostrava
Todo o encanto que havia ali guardado...
Seus cabelos dançavam num bailado,
Quando o vento de leve ali soprava...
Parecia visagem – eu pensava.
Abaixei-me e colhi pra dar a ela
Uma flor perfumada e amarela
... Encantou-se – a açucena – em linda jarra!

Foi na poeira da estrada de piçarra
Que uma vez avistei o rosto dela!

Nessa jarra encantada ela ficou
E eu não mais pude ver flor de açucena,
Muito embora, ao soprar, a brisa amena
Espalhasse o perfume que ela usou,
Pouco antes de quando se encantou!...
Eu faria de tudo por aquela
Que a lembrança arde em mim qual fosse vela
E num laço de amor ainda me amarra...

Foi na poeira da estrada de piçarra
Que uma vez avistei o rosto dela!