Livros


REGRAS PARA SE FAZER O POEMA VARANO

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Incautas

Massas humanas incautas
Engasgadas pelo engodo
Empanzinadas com mentiras
Iludidas com o supérfluo
Donas de um sucesso fátuo
É de vocês que eles gostam
Que arrotam mil vantagens
Falcatruas, sacanagens
Impunidade, favores...
Em vocês eles apostam
Põem vocês em suas pautas
É de vocês que eles gostam
Vocês são os seus amores
Vão boiando em dissabores
Massas humanas incautas...

sábado, 30 de abril de 2011

Novos Haicais

Drasticamente
Aniquilaram tudo
Sem piedade

      @@

Navalha fria
Morbidez incurável
Renega o amor

      @@

Espada corta
Vangloria-se do mal
Digna de pena

      @@

Dei-te (,) meu amor
Imerecidamente!
Esteira da dor...

Rancor e Mágoa

O rancor e a mágoa
Vão toldando o tesouro
Transformando em resquício
Diante de um precipício
Sentimentos de ouro...

Entre gritos calados
Em suspiros profundos
Vão-se a cor e o sabor...
O perfume da flor
Ganha os cheiros do mundo...

Faz-se grande o descaso
O abandono do amor
E o rancor traz a mágoa
Onde o pranto deságua
No infinito da dor...

Morbidez

Nos becos da vida
Esticam-se os dedos
Grilhões se retorcem
Sem volta na ida

Gargantas escarram
O sopro da morte
Na vida sem sorte
Sem céu, sem guarida

Em gritos sufocam
Razão nua e crua
E vidas se embocam
Em mórbida Lua

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Pensamento

O tempo passa, o amor perpassa!

O Burro

Ilhado num mundo de sonhos
Caminha por pedras e espinhos
A dor que lhe fere disfarça
Da trilha desvia o caminho...

Ilhado num sonho sem mundo
Resvala nas pedras de limo
Levanta-se, seca a ferida
e galga a montanha até o cimo...

De lá isolado e distante
a dor lhe oferece uma trégua...
Respira da vida um alento
e põe-se a andar outra légua...

Não usa anteparos nos olhos
Não se ouve um relincho, nem urro...
Melhor animal que humano
Que ser desumano – O Burro!...

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Saudade

Saudade, saudade tua
tão grande que me dá medo!
Vejo teu rosto na Lua
mas não vejo teu segredo...
Vives bem longe da rua
não sei onde se situa
tua morada, teu enredo...
A vontade perpetua
de ver-te bela e tão nua
mimosa como um brinquedo...