REGRAS PARA SE FAZER O POEMA VARANO

quarta-feira, 16 de março de 2011

Caminhando na Beira-Rio

São 8 da manhã e o sol já bate forte.
Faço um alongamento.
Desço pela escada, vou me aquecendo.
Bom dia, seu Modesto, tudo bem?
Seu Modesto, um dos porteiros, é um senhor negro, baixo, meio atarracado e meio careca.
Gente boa, o seu Modesto.
Ele fala do vinho que lhe dei: “Ó, muito legal, viu? Muito bom!
(fazendo sinal de OK com o polegar)
Minha senhora fez lá um peru assado no vinho
- ela gosta de fazer essas coisas, né?
Ficou... oh!...Legal!...  Brigado, tá?”
De nada, seu Modesto, deixa eu ir, um abraço.
O céu está azul, com algumas nuvens decorando o topo da Serra da Mantiqueira.
Cinco minutos andando e já estou na Beira-Rio.
Bom dia! (Aqui, a maioria das pessoas se cumprimenta).
Sigo pela sombra das árvores,
árvores frondosas que margeiam o rio,
enquanto ele desce soberbo, banhando a cidade.
São pés de ingá, jamelão, pitanga, goiaba, manga,
gameleira, quaresmeira, ipê roxo, ipê amarelo e outras tantas que não sei.
Pequenas pontas de galhos se espalham pela calçada, resultado do granizo de ontem à tarde.
Já vejo as duas senhoras, que varrem, todos os dias.
Estão varrendo de lá pra cá.
Quando as cumprimento, respondem prontamente,
com entusiasmo.
Um cumprimento pode ser um alimento para a alma.
- Olá!
Esse olá foi para uma moça bonita, de óculos escuros, rabo de cavalo (o do cabelo, não o dela).
Essa sempre fala comigo.
Muitas pessoas caminham aqui, outras preferem o belo Parque das Águas, ao lado.
Algumas falam com a gente,
outras fingem que não estão vendo,
talvez por timidez, ou por ignorância mesmo.
Há uma velhinha, que também não fala com ninguém, e caminha todos os dias, rezando o terço!...
Será que reza mesmo?
- Ôpa, tudo bom?
Não foi pra ela, não.
Foi para um camarada, que também não sei o nome,
mas sempre que passa, cumprimenta a todos.
Passo agora perto da minha árvore predileta!
Não sei o nome dela.
É bastante alta, com muitos galhos robustos,
que se estendem sobre o rio.
Um dia ainda vou contar quantos galhos ela tem.
Deve ser centenária, a julgar pela imponência e tronco de mais de um metro de diâmetro.
- Oi, tudo bem?
Não, hoje ele não veio. Agora é minha vez.
Não dá pra andar com ele muito rápido,
ele pára toda hora pra cheirar, fazer xixi... tchau!
É uma moça e seu cachorrinho.
Ela perguntou pelo Billy, nosso miniatura pinscher.
Acho que ela aprendeu comigo,
pois está levando um saquinho plástico!
Algumas pessoas são tão caras-de-pau,
que trazem os cachorros para caminhar e fazer cocô,
sem sequer se preocuparem com a sujeira.
Estou tentando impor novos hábitos...
E estou conseguindo.
Vou voltar daqui, já cheguei ao final da calçada.
Vou até a outra ponta.
Mais uns 20 minutos e eu chego lá.
Bom dia, iiiiiih!, não respondeu!!!
É assim mesmo.
Algumas mulheres caminham como se estivessem sozinhas,
só olham pra frente, nariz empinado, bunda arrebitada... Se acham! Fazer o quê, né?
Se eu fosse o Brad Pitt, aposto que olharia pra mim e daria o maior sorriso!...
Ôpa, caraca! Dei uma ligeira tropeçada.
É que eu olho para todos os lados,
apreciando a natureza e, claro,
as beldades que passam,
as árvores que ficam,
os pássaros que cantam,
que voam, esvoaçam,
chicoteando o espaço...
O rio que desce...
Os patos d’água que nadam, fazendo barulho,
as garças, em voos rasantes sobre a água...
Um galo que canta do outro lado do rio...
Os sabiás que cruzam a calçada, quase se deixando pisar...
Sanhaços e canarinhos da terra, a colorir o lugar...
Se fosse na primavera,
haveria também os ipês floridos para se ver.
“BiBi”... Passa um carro e buzina.
Olho, porque a buzina chama atenção.
Ah!... Mas vejam pra quem foi a buzinada!...
Para uma garota que passou correndo,
de bonezinho, óculos escuros e aquele bumbum arrebitado!
(Não é aquela, não. Essa é apenas mais uma...)
Ôps! Outro tropeção!
Alguém deve ter dito “bem feito!”
Em meio à sinfonia de inúmeros pássaros,
à brisa refrescante e ao belo visual,
continuo caminhando...
Já se passaram 45 minutos.
É hora de voltar. Até em casa, mais uns 5, tá bom.
Amanhã, estarei aqui de novo, caminhando,
vendo as belezas do lugar,
e sempre desejando que as pessoas que eu gosto
estivessem também aqui, caminhando comigo.
Por hoje, vou encerrar o meu monólogo,
ou, como diria aquela loira falante,
o meu “diálogo solitário”
Tchau!