REGRAS PARA SE FAZER O POEMA VARANO

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A Reza de Praxedes de São José

Praxedes, era homem justo,
homem de bom coração,
um dia levou grande susto
depois de uma oração.

Morava numa casinha,
lá no meio da caatinga,
e a água que ele tinha
mau enchia sua moringa...

A irmandade reunida
pedia para chover
- prece não correspondida -
Até ele aparecer.

Ele saiu pro terreiro,
gritou com seu vozeirão
“aqui quem fala é um vaqueiro
de um povo em precisão.

São Pedro, você me escute
abra a torneira do céu
se me negar, desça e lute
só vou pegar meu chapéu”.

Quando acabou de gritar,
entrou que nem um bufão
e antes dele voltar
ouviu o primeiro trovão!

A irmandade correu
pra rezar pedindo chuva.
Praxedes, do jeito seu,
gritou é chuva viúva!

Começou ele a xingar,
mesmo seguindo a oração.
Com São Pedro iria brigar,
caso  houvesse negação.

Foi então que a chuva ouviu   
os pedidos de agonia...
E da caatinga partiu
o canto da cotovia...

Mas foi tanto o desespero,
que a reza passou da conta
e choveu em destempero
chuva forte que amedronta!

Seu Praxedes não sabia
nem mais o rumo de casa,
pois casa já não se via,
nem boi... Só bicho de asa!

Com muita dificuldade,
seu Praxedes se lançou,
rezou pela irmandade
e nadou, nadou, nadou...

A chuva banhou o cerrado,
alagou lá na caatinga
e deixou o povoado
mais parecendo restinga!

Mas chuva assim quem agüenta?
- Praxedes esbravejou -
ou é oito ou é oitenta!
Falando assim completou.

Daquele dia então,
Praxedes, homem de bem,
louva a Deus em oração
e a São Pedro também!

Mas faz questão de frisar,
para sua irmandade,
pra quando pedir no orar,
respeitar a santidade.

Agora todos conhecem
a reza do seu Praxedes:
Só pede o que eles carecem,
na dose que não excede.

.....................................
Eu que não morava lá
e estava só de passagem
fico lembrando de cá...
Que interessante viagem!

Nunca vi reza tão forte
e povo com tanta fé!
Praxedes mudou a sorte,
do povo de São José!